Crônicas diversas Crônicas doutrinárias

Advogada de defesa

“O arrependimento [somente] auxilia a melhora do Espírito, mas o passado deve ser expiado”, esclarece-me Kardec na questão 999 de O Livro dos Espíritos.

Negritos por minha conta e com o intuito de abordar o tema reparação, diria que esta – a reparação – será minha grande advogada de defesa no momento em que eu, de retorno à espiritualidade, apresentar meu “curriculum vitae” ante o tribunal instalado perante minha própria consciência.

O sacramento da confissão – penitência ou ‘confiteor’ -, uma das práticas da igreja católica apostólica romana, exime de culpa o penitente que, arrependido, declina seus ‘pecados’ ante um sacerdote; este lhe aplicará uma penitência mais ou menos proporcional ao seu ‘delito’ e a partir do cumprimento, o cidadão estará limpinho… E a reparação? E o ressarcimento à ou às pessoas lesadas, não será necessário?

A prática, acima exposta, não é, portanto, racional, muito menos natural.

Quando Kardec me diz que “o arrependimento auxilia a melhora do Espírito”, me dá a entender que o arrependimento será sempre o precursor, ou o primeiro passo que darei no caminho da reparação. Ou seja, o arrependimento é o estopim e a reparação a ação principal.

Precisarei compreender que minhas ‘vítimas’ poderão estar muito próximas a mim, distantes de mim, mas encarnadas, ou já desencarnadas… Há as que já na Pátria Espiritual fazem parte de um rol incógnito por mim ofendidas em pretéritas vidas…

A regra geral é que eu procure ir substituindo minhas reincidências em erros por ações benfazejas – como diria Madre Tereza –, sempre beneficiando as pessoas mais próximas a mim, já que, segundo ela, o maior necessitado será sempre o mais próximo.

Seguindo essa conduta, estarei reparando, na pessoa do mais próximo, outros por mim lesados no presente ou no pretérito. Assim funciona minha reparação ou, minha advogada de defesa.

Entender que o indivíduo hoje no seio de minha família, o transeunte que toca minha campainha, o frentista que me presta um serviço, o gari que recolhe meus resíduos… poderá fazer parte de uma lista para com os quais sou ‘endividado’, será facilitar minhas ações “expiatórias”, visto que essas pessoas, veladamente, se apresentam à minha frente facultando-me ações indenizatórias.

Reconhecer-me endividado – ou não viveria neste Planeta! -, evitar reincidências e partir para atos compensatórios será a seqüência lógica da reparação, ou me tornar merecedor da Graça Divina.

Se minha vítima estiver longe ou se tornar ‘inacessível’ ou se for de pretéritas existências e o véu do esquecimento me beneficiar, não haverá nenhum problema: Inúmeras oportunidades haverá, nas minhas proximidades, para que exercite o sagrado dever da reparação.

Se já o consegui com meu cônjuge, com meus filhos e com os próximos de meu lar… é só abrir minha porta e verificar que haverá uma fila deles, todos lesados por mim hoje, na encarnação passada, séculos ou milênios atrás!

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Arrepender e corrigir, pg. 87 de Mensagens de esperança e paz, de Waldenir A. Cuin, Ed. EME) – (Inverno de 2012)

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