Crônicas doutrinárias

…E a sociedade, “compete a nós?”

“… Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus. Também foram convidados Jesus e os seus discípulos. Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: ‘Eles já não têm vinho. ’ Respondeu-lhe Jesus: ‘Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou… ’” 1

Jesus e seu secretariado viviam junto ao povo, e este era sua ferramenta predileta de trabalho. Em As Bodas de Caná, o Mestre revela-se um Rabi Social atuante, pois aí realizaria seu primeiro milagre. Jesus é sempre o roteiro mais confiável e, nesta passagem, mostra-nos que a sociedade nos convoca e espera que nossas potencialidades realizem milagres.

“… Seguir Jesus, não significa fugir do mundo, renunciar a tudo ou anular-se em clausura e recolhimento. A magna proposta exarada por Jesus, neste aspecto, é que o indivíduo ‘esteja’ no mundo sem, no entanto, ‘ser’ do mundo, numa possível e fraternal convivência…” 2  

Essa sociedade, que nem sempre nos é amistosa, por apresentar riscos de toda sorte, é o campo ideal para travarmos nossas lutas. Os quadros chocantes que por vezes nos mostra, são próprios do degrau de cada parceiro: Analisando-os, deveremos tirar o maior aproveitamento possível. Como um feixe de varas, fortificar-nos-emos nessas batalhas, teremos a oportunidade de intercambiar nossas aptidões, trocar talentos. Escancara-se, dessa forma, a porta para uma progressão emparelhada.

A bagagem intelectual e moral que, porventura tenhamos amealhado, deverão possuir destinação, funcionando como um ateliê junto à sociedade. Capacidade de contagiá-la: Esse o nosso grande desafio e responsabilidade junto a ela.

Quantas vezes somos convidados a comparecer em aniversários, formaturas, casamentos e procuramos várias desculpas para furar? Ignoramos, inconseqüentemente, todas as dificuldades que o organizador desses eventos enfrentou no percurso de sua elaboração até o convite chegar-nos às mãos.

Por outro lado, quando a eles comparecemos, muitas vezes à custa de vários sacrifícios, constatamos a alegria estampada no rosto do homenageado e, imediatamente, essa euforia nos contagia; contabilizamos, então, decisões acertadas.

Comemorar nosso aniversário, comer uma pizza com amigos, brindar com vinho ou champanhe uma data marcante, participar, com um papo animado de uma roda de chimarrão na orla, escutar uma boa música e sacudir o esqueleto, são atividades simples de nosso dia-a-dia às quais não poderemos nos furtar que precisam ser consideradas e que são verdadeiras recargas para as nossas vidas em trânsito nesta Esfera de Aprendizado.

Vivemos, em nosso Balneário, uma época sui generis e de exposição. Nossas duas casas estarão invadidas por visitantes, parentes ou nem tanto e precisaremos estar blindados e convivendo inteligentemente com linguajares um tanto chulos e atitudes mais estranhas que de costume.

“Não se cresce intimamente sufocando a espontaneidade, as energias inatas ou adotando um comportamento social de intolerância, mesclado a uma aparência santificante…” 3

Portanto, a sociedade não só nos compete como é chegada a nossa hora de aproveitarmos as chances com as quais ela nos oportuniza diariamente, visto que “estar no mundo é utilizar-se de todas as possibilidades que ele oferece, de maneira sábia e comedida, com critério, racionalidade e bom-senso…” 4

(Subsídios: 1. João, II, 1-4; 2. e 4. CairbarSchutel – (Horizontes das Profecias) 3. Lourdes Catherine – (Conviver e Melhorar) – (Janeiro de 2011; verão em altíssima temporada).

Pub “O Clarim”, Mar/2013

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