Crônicas doutrinárias

Liberdade e igualdade, filhas da fraternidade

Pedro Leopoldo, Minas Gerais, Brasil, 8 de março de 1940 – Um grupo de médiuns, entre os quais Francisco cândido Xavier, pertencentes ao Grupo Espírita Luís Gonzaga, questionam a Entidade Emmanuel sobre qual dos aspectos, científico, filosófico e religioso seria o maior. O resultado que chega à data supra mencionada é a obra O Consolador1, que com suas 411 questões, é um luzeiro ao Brasil e ao mundo…

Paris, França, 7 de janeiro de 2015 – Dois atentados simultâneos e orquestrados resultam num massacre, por parte de extremistas islâmicos, deixando na capital francesa um saldo agregado de 20 mortos e 11 feridos, entre as partes.

* * *

Qual a co-relação entre estes dois episódios, acontecidos com um intervalo de três quartos de século? Aparentemente, diríamos que nenhum, se não examinássemos a resposta à questão 292 de sua terceira parte, aspecto religioso, e abordando o conceito de religiões: “… Na inquietação que lhes caracteriza a existência na Terra, os homens se dividiram em numerosas religiões, como se a fé pudesse ter fronteiras, à semelhança das pátrias materiais (…). Dessa falsa interpretação têm nascido no mundo as lutas anti fraternais e as dissensões religiosas de todos os tempos. 2

Embora não estejamos aqui para falar de política, mas sobre religião/religiosidade, é-nos imperioso acreditar que tais ‘efeitos’ islâmicos sejam mais de ordem política do que religiosa. Ou que sejam mais aspectos sociais do que religiosidade.

A França possui a maior concentração islâmica dos países da Europa; tal população ocupa os subúrbios das cidades francesas, ou suas partes menos aprazíveis, como se ser muçulmano e ocidental seja contraditório. Acredita-se que um em cada vinte habitantes, seja muçulmano e pratique o islamismo. O restante está divido entre católicos – 81% – e outras religiões.

Logo após as comoções e o sepultamento de seus queridos e atendimento aos feridos gravemente, França e as demais nações preocupam-se em rever seus planos de prevenção antiterrorista. Não lhes é importante, entretanto, meditar sobre e rever questões de respeito e tolerância, itens que amenizariam efeitos de sabidas causas. Enquanto a tolerância relevaria os equívocos alheios, o respeito preveria a consideração às tradições e convicções dos povos.

Longe de tomarmos o partido ‘A’ ou ‘B’, convém lembrarmos que Charlie Hebdo, o jornal satírico francês debochava, na forma de caricaturas, de tudo e de todos; do papa a Maomé!

É muita clara a Regra de Ouro ou Ética da Reciprocidade, na formulação de seus postulados. Também são sinópticas tais máximas, apresentando paridades de formulação de Abraão (judaísmo), passando por Jesus (cristianismo) e chegando a Maomé (islamismo):

Respectivamente, postulariam estas crenças: “O que é odioso para ti, não o faças ao próximo. Esta é toda lei, o resto é comentário”; “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles”; e “Nenhum de nós é um crente até que deseje a seu irmão aquilo que deseja para si mesmo.”

Imaginemos todos os Profetas de antes da Manjedoura; da manjedoura ao Gólgota; e pós Gólgota, todos eles sob os auspícios do Divino Governador. Entre eles estariam Abraão, Jesus e Maomé, certamente lamentando o episódio recente, e na praça francesa, tremulariam faixas não com as expressões “Je suis Charlie”, mas, muito provavelmente, “Je suis la fraternité!”- eu sou a fraternidade!

Reiteramos mais uma vez, não estamos aqui falando como franceses ou muçulmanos, mas com a dor e o lamento de ambos, como cidadãos do mundo e como cristãos; e como tal acreditamos que o único aval para a liberdade e a igualdade seja a fraternidade, ou o perfeito enquadramento dos povos dentro da ética da reciprocidade, que é a regra que o Cristo ditou aos antigos e novos Profetas.

A fraternidade liberta e assemelha nossos Espíritos!

Muito atual e profética a colocação de Emmanuel, de 75 anos atrás. Própria de Espíritos Superiores!

Bibliografia:

1. Xavier, Francisco Cândido, ditado por Emmanuel, O Consolador, editora FEB, 29ª edição; e

2. Idem, questão nº 292

(Verão de 2015).

Pub RIE, Mar 2015

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.