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“Meu amigo, subi mais alto!”

Em época em que os ventos do Vaticano sopram como nunca na direção de São Francisco de Assis, considere-se que: Pássaros e outros animais possuem comportamentos, vivem e se alimentam conforme suas espécies e habitats. Vegetais germinam, crescem, floram, frutificam ou não cumprindo ciclos consoante suas espécies regionais. Recursos hídricos, salgados e doces, obedecem a fenômenos conforme as Naturais Leis. Animais, vegetais e minerais, donos de um princípio inteligente, estão ligados a uma inteligência universal conectada à Causa Primária…

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Estaria o hominal isento ou alheio a esta conexão? Teria eu esquecido os indivíduos da conectividade ora abordada? Não! A humanidade, entretanto, é dona de um sentimento não próprio aos animais, vegetais e minerais: O livre arbítrio. Com sua liberdade indivíduos se conectarão mais ou menos à sua Divindade ou beberão mais ou menos da fonte da inteligência universal.

Cada indivíduo possui uma escala ou régua para aferição do grau de sua conexão à Causa Primária ou da quantidade de água que já consegue beber junto à fonte da inteligência universal: Tal régua se gradua desde seu estado de ainda orgulhoso, até a mais sagrada humildade que já conseguiu em si reunir.

Dir-me-ia o Orientador que os humildes [são] um canal ou espaço transcendente onde flui silenciosamente a inteligência universal; e mais adiante, que humildade está associada a distinção, gentileza, lucidez, graciosidade e simplicidade, donde se conclui que o humilde será sempre:

  • O filtro a fornecer água purificada da fonte da inteligência universal para dessedentar a si e a terceiros;
  • O curador zeloso que no espaço de uma pinacoteca propiciará a famintos de arte, inúmeros e belos quadros pintados pela inteligência universal em conexão e parceria com a Causa Primária;
  • Possuidor de distinção tal que sempre o diferenciará de pessoas esvaziadas em virtude de seu estoque de orgulho;
  • Gentil na prestação silenciosa de todos os serviços que seus insights lhe proporcionam;
  • Completamente lúcido por conta do aproveitamento de todos os momentos de sua interiorização;
  • Gracioso ou possuidor de natural e desafetada graça que soube colher de sua conexão com o Pai Eterno; e
  • Simples, pois sabe que por ser gracioso tem na simplicidade o maior adereço que sua elegância espiritual poderia possuir.

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“Quando fordes convidados para bodas, não tomeis nelas o primeiro lugar (…) mas ide vos colocar no último lugar, a fim de que, quando aquele que vos tiver convidado vier, vos diga: ‘Meu amigo, subi mais alto! ’” (ESE, cap. VII, item 5).

O humilde será aquele que atingindo o nirvana, ou a união definitiva da criatura com o Criador, será convidado pelo Dono do Festim e Causa Primária: “Meu amigo, subi mais alto!”

O humilde, por se fazer e se sentir tão pequeno, é tão grande que nem se dá conta da magnitude que possui.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Humildade, pag. 103 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono lindo de 2013).

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