Crônicas diversas Crônicas doutrinárias

“O mais próximo”

“Ouvir com atenção e paciência o que o outro diz – nosso próximo que, no momento da conversação, é realmente o mais próximo – é uma oportunidade de auxílio” e “quando ajudamos a alguém a solucionar seus problemas, normalmente resolvemos os nossos” (Antônio Carlos, Espírito).

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Prestes a completar três semanas no ‘novo velho’ domicílio, acordei-me angustiado por dormir um pouco a mais e confessei à minha ‘velhinha’ que o ‘rivotril’ tomado na véspera não me fizera bem, principalmente à alma. Enquanto ouvia a chuvinha mansa realizando seus sons na calha do prédio, examinei a calmaria de todos os cômodos e novamente, conversando comigo mesmo concluí que minha arrenegação só poderia ser ingratidão; aquela ‘doença ingratidão’ que muitas vezes o indivíduo sente, apesar de estar tudo bem…

Quando minha amada, às voltas com uma nova tentativa de contornar seu diabetes, conseguia agendar um novo endócrino que estava disposto a atendê-la às 14:30 horas de hoje, tomei a decisão que eu e o ‘cusco’ a acompanharíamos até o consultório… Parece que o nateado de minha mente se dissipou por inteiro…

O Sábio Antônio Carlos, nesta nova obra em que ora me sintonizo, está completamente arrazoado ao afirmar que conversar, escutar alguém, é a oportunidade de encontrar a solução para as próprias dificuldades.

Não ignorar que o mais próximo poderá ser minha companheira, meu cão, a vizinha do lado, os condôminos do bloco, os compadres do bloco contíguo… é o primeiro passo para minha auto-ajuda no sentido de compreender que é ajudando que somos ajudados!

Necessário será compreender que nem sempre esse ‘ajudado’ estará fisicamente ao meu lado: Ele poderá estar do outro lado do telefone com ou sem fio, na virtualidade das páginas de relacionamento, como tu que ora me lês ou me acompanhas pelos mecanismos sociais. Se eu não conseguir te atender ou ser atendido pelo face book, por exemplo, deixarei – deixaremos – de ser o teu mais próximo e estabelecerei uma ordinária e até pífia conversação contigo.

É possível que me encontrando em meio a uma multidão eu não esteja próximo a ninguém, tão pouco auxiliando alguém, como também é possível que na mais completa ‘solidão virtual’ eu esteja cercado de amigos e auxiliando a vários.

Escutar os envolvidos e importar-me com eles é a regra áurea, quer esteja eu em meio ao burburinho, absorto em minha solidão virtual ou no mais completo recolhimento contemplativo. Em qualquer uma das três situações, estar atento às vozes e clamores dos visíveis ou invisíveis será estar aberto ao mais próximo, ame eu esse próximo muito, pouco ou nem tanto!

(Sintonia: Prefácio, pg. 5 de Entrevistas com os Espíritos, de Antônio Carlos/Vera Lúcia M. de Carvalho, Ed. Petit) – (21 de outubro, primavera de 2013).

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