Crônicas diversas Crônicas doutrinárias

Solidão patológica e solidão necessária

Aprendi – através da dor, é lógico! -, que minha solidão poderá ser necessária ou patológica… Para melhor compreensão, utilizo-me de algumas alegorias próprias de meus costumes e habitat. As considerações em negrito se referem à patológica; as demais à solidão saudável:

  • Num dia chuvoso – sabe aquela chuva necessária?! – é lógico que não irei à praia. Aprazer-me-á ficar em casa acomodando coisas, por exemplo. Farei um descarte em minhas prateleiras, jogando fora o que me incomoda e preservando com o que me é útil. Conferirei os escaninhos de minha alma verificando as ‘mensagens’ que a vida tenta me enviar; tentarei sacudir cinzas de coivaras que teimam em tisnar as coisas que me tem serventia.
  • Se o dia estiver ensolarado e quente, desejarei estar na praia numa roda de amigos. Precisarei, entretanto, tomar certos cuidados, pois qual o amigo que desejará estar se relacionando com pessoas possessivas, donas da verdade, desrespeitosas. Amigos certamente deixarão na solidão uma pessoa assim.
  • Se estiver mateando solito, e estando em boa sintonia, certamente não estarei mateando solito… ‘Alguém’ mateará comigo. Haverá uma efervescência de idéias, intuições aportunizadas pela meditação, enfim, quase uma contemplação monástica.
  • Se, por outro lado, estiver mateando em uma roda de amigos, ou no círculo familiar e adotar atitudes perfeccionistas ou nela imprimir minhas teimosias e manias… Acabarei novamente solito, pois a reunião se esvairá e novamente ficarei solitário… Morbidamente solitário!

Mas o que têm a ver chuva, sol, praia, roda de chimarrão… com solidão? Na ‘real’, nada; interpretadas as alegorias, tudo!

(Subsídios, recursos e sintonia são de As dores da alma, de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2012).

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