Crônicas doutrinárias

“Somos alunos, não malfeitores!”

Releio com gosto e sempre garimpando coisas novas, As dores da alma. Em abertura de junho de 1998, Hammed dá uma roupagem espírita aos sete pecados capitais instituídos pela ortodoxia da igreja os quais incluo na “indústria” da culpa.

Nos fragmentos abaixo o amigo espiritual, dentro de sua humildade tão sujeita a enganos como qualquer outro, mas com a responsabilidade de uma alma que leva ao alto o archote iluminado que Jesus Cristo, por compaixão [lhe] concedeu carregar, pincela a visão doutrinária ante mais essa aberração “industriaria”:

  • Orgulho, preguiça, raiva, inveja, gula, luxúria e avareza são apenas desajustes, neuroses ou desequilíbrios íntimos. Esses “pecados” precisam mais de auto-análise, reparação e tratamento do que condenação, repressão ou castigo;
  • As “dores da alma” são fases naturais da evolução terrena, nas quais estagiam todos os seres em crescimento espiritual;
  • Quem compreendeu as divinas intenções do Poder da Vida sabe que, na nossa existência, nada pode estar acontecendo de errado, pois a obra da Natureza tem a maravilhosa capacidade de sempre estar promovendo a todos, mesmo quando tudo nos pareça perda ou destruição;
  • Limitemo-nos – e aqui está um convite à discrição, tolerância e complacência – unicamente a olhar e observar os vários níveis da experiência humana sem contestarmos ou indagarmos se poderiam ou não ser de outra forma;
  • Todos somos alunos, não malfeitores na escola da vida; as “dores da alma” são as educadoras particulares que a Harmonia da Vida nos concedeu.

Que tudo o que aqui foi pincelado não me sirva se pretexto à acomodação… Convenço-me, cada vez mais, que sou o enfermeiro de minhas feridas, o cirurgião plástico de minhas seqüelas e que cada encarnação é uma mesa para a auto-cirurgia.

(As expressões em itálico – negritos por minha conta – são da introdução do livro As dores da alma, de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed, Ed. Boa Nova) – (Final do verão de 2011/12).

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