Crônicas diversas Crônicas doutrinárias

“Varinha de condão”

“Amar é jamais ter que pedir perdão”, diria Jennifer (Ali Mac Graw) a Oliver (Ryan O’Neal) logo após uma discussão, no clássico romântico Love Story (EUA, 1970).

Se num ambiente familiar, de trabalho, de lazer… um dos membros passar a pedir perdão repetidas vezes, isso evidenciará que ele está se equivocando seguidamente. Não conseguiria me imaginar desculpando-me várias vezes por dia com Maria de Fátima, pois isso comprovaria minha evolução marcando passos…

(…) Aquele que pede a Deus o perdão de suas faltas não o obtém senão mudando de conduta. (Questão 661, de O livro dos Espíritos).

* * *

Pareço hoje estar na contramão do perdão ou renegando todas as recomendações do Mestre que orientou a “perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes”. Mas vocês irão me entender, pois varinha de condão abordará hoje uma atitude não tão nobre quanto o ato de perdoar, porém necessária, como também necessário é que se faça a distinção:

  • Uma coisa são aquelas atitudes que tomo desejando me redimir perante alguém a quem causei algum dano ou prejuízo. Nada mais salutar que, o arrependimento que antecedeu o meu pedido de desculpas, me conduza a um ato de reparação. Neste caso a minha mudança de conduta é filha de um processo que iniciará no arrependimento e culminará com a reparação. Este é o procedimento que possui o aval da Iluminação Kardecista porque está consoante as prescrições Crísticas.
  • Outra coisa será eu me acostumar a pedir desculpas como se essa palavra fosse uma varinha de condão que desfizesse, num passe de mágica, todas as mágoas, afrontas e injúrias, sensações desagradáveis, desgostos e aborrecimentos causados pelos agravos e indelicadezas que cometi… Está caracterizado aqui o ‘marcar passos’ de minha evolução, pois serei aquela pessoa inconseqüente, imatura, baseada e sempre dependente da complacência alheia.

Neste último caso, a ficção de Love Story, a mensagem do Mestre e a Orientação Espírita me ‘enquadram’ e me mostram que perdão não é de forma alguma a varinha de condão disposta sempre a realizar mágicas. Não há ilusionismos quando se trata das Naturais Leis. A Justiça Divina é sábia no comando da causa e efeito.

* * *

Desculpar pode ser o início de um novo tempo de convívio respeitoso, mas também pode ser um eterno jogo psicológico em que apenas se amortecem o desrespeito, a brutalidade e o golpe da ofensa.

(Sintonia e expressões em itálico são do cap. Perdão, pag. 171 de Os prazeres da alma, de Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto, Ed. Boa Nova) – (Outono de 2013).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.